Despindo a Paraíba: Histórias e outros Contos.
Tendo por finalidade elucidar algumas questões referentes a história da Paraíba, esse blog vem por trazer questões que possibilitem um melhor entendimento referente as inúmeras facetas que possibilitaram a construção dessa terra tão rica em histórias, que é a Paraíba. Por isso, pretendemos de fato, despir a Paraíba e ver o quão intrigante e bela, ela nos apresenta.
sexta-feira, outubro 19, 2012
quinta-feira, outubro 18, 2012
No caminho da modernidade: Primeiro grupo escolar de Campina Grande.
O Grupo Escolar Solón de Lucena somente recebeu este nome cerca de dois
anos após a sua criação. Pois é, o primeiro grupo escolar da cidade foi criado
em 1924, como Grupo Escolar de Campina Grande, vindo a receber a nomenclatura
de seu fundador somente no exercício seguinte, já sob o governo do presidente
João Suassuna, em 1926.
Escolar:
Denomina Solon de Lucena o grupo escolar de
Campina Grande.
O Dr. João Suassuna, Presidente o Estado da Parahyba, usando da atribuição que
lhe outorga o § 1º do art. 36 da Constituição Estadual.
Considerando que o grupo escolar de Campina Grande foi construído no governo do
saudoso chefe Solon de Lucena e que à sua memória vem de ser prestada as mais
expressivas homenagens pelo povo daquele município.
DECRETA:
Art. 1º - É denominado “Solon de Lucena” o grupo escolar da cidade de Campina
Grande, criado pelo decreto 1.317, de 30 de setembro de 1924.
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.
O Secretário do Estado faça publicar o presente decreto, expedindo as ordens e
comunicações necessárias.
Palácio do Governo da Parahyba, em 26 de abril de 1926, 38º da Proclamação da
República.
(Ass.) João Suassuna.
Filme: Paraíba Mulher Macho
Um filme baseado na vida de Anayde Beiriz.
Excelente filme para aqueles que se interessam em saber sobre a vida de uma mulher que ganha notoriedade e enfrenta preconceitos meio as disputas políticas de uma época marcante para a história da Paraíba. Vale a pena conferir!
Escritos de Anayde Beiriz.
"E, bem sabes, no amor, como em tudo, apenas me seduz a originalidade
A
razão por que gostei de ti?
Porque pensei que tu eras louco
Tive sempre a extravagância de achar deliciosos os
loucos que julgam ter juízo
As marcas das minhas carícias não foram feitas para
desaparecer facilmente
Mil outros lábios que se incrustarem na tua boca
não arrancarão de lá a lembrança da minha
Mas, se ainda assim, o conseguires, a tua vitória
não será duradoura.
Não há vantagem em esquecermos hoje o que temos de
lembrar amanhã
Apraz-te que eu guarde os teus beijos
Guardá-los-ei, por enquanto.
O meu amor é bem diferente: é impulsivo,
torturante, estranho, infernal”
Cordel: Anayde Beiriz
Mais que simples
professora
Revolucionária de
visão.
Poetisa
lutadora
Que lutou com
precisão.
Em um tempo de
pudor
Culta e intelectual,
Culta e intelectual,
Que não perdeu
o fervor
Em sociedade
tão banal.
Com força e
vigor
Sociedade enfrentou.
João Dantas
seu amor
Muita gente
provocou.
Tem inicio o
furor
A tragédia
acontece.
João Dantas
seu amor,
João Pessoa
adormece.
A perseguição
assolou
E Anayde
padece.
Sozinha
terminou,
Em lugar que
não merece.
A participação do gênero feminino na "Revolução de 30" na Paraíba.
Tendo como figura principal a pessoa de Anayde Beiriz, a causa "feminista" na Paraíba e a desmistificar a imposição machista, visivelmente dominante na época. Contudo, ela é bastante lembrada até hoje por conta de seu envolvimento amoroso com João Dantas que nesse período era o principal adversário político de João Pessoa.
Anayde foi uma mulher a frente do seu tempo. Ela rompeu com o tradicionalismo e com as normas de toda uma época, tornando-se mal vista na sociedade. Uma mulher "perdida"! Suas poesias estavam permeadas de reivindicações políticas, em uma época no qual não era permitido a mulher expressar opiniões. Apesar do seu envolvimento com João Dantas, que por sua vez não concordava com alguns posicionamentos de Anayde, fazendo uso do argumento "universal" da época: Política não era coisa de mulher. Contudo, Anayde não deixou de ter um posicionamento forte acerca das questões que faziam parte da sua realidade, transgredindo um espaço até então tido como masculino.
Dentro desse cenário no qual tinha como foco as disputas entre "liberais e perrepistas", as figuras de Anayde e de João Pessoa fazem um contra ponto de ideais extremos: Enquanto João Pessoa permeava seus discursos com um moralismo "desenfreado", Anayde trilhava um caminho oposto voltado a quebra de normas e paradigmas impostos pela moral machista.
Anayde foi uma mulher a frente do seu tempo. Ela rompeu com o tradicionalismo e com as normas de toda uma época, tornando-se mal vista na sociedade. Uma mulher "perdida"! Suas poesias estavam permeadas de reivindicações políticas, em uma época no qual não era permitido a mulher expressar opiniões. Apesar do seu envolvimento com João Dantas, que por sua vez não concordava com alguns posicionamentos de Anayde, fazendo uso do argumento "universal" da época: Política não era coisa de mulher. Contudo, Anayde não deixou de ter um posicionamento forte acerca das questões que faziam parte da sua realidade, transgredindo um espaço até então tido como masculino.
Dentro desse cenário no qual tinha como foco as disputas entre "liberais e perrepistas", as figuras de Anayde e de João Pessoa fazem um contra ponto de ideais extremos: Enquanto João Pessoa permeava seus discursos com um moralismo "desenfreado", Anayde trilhava um caminho oposto voltado a quebra de normas e paradigmas impostos pela moral machista.
sexta-feira, outubro 12, 2012
Análise da dissertação - (Des) aliando alguns fios da modernidade pedagógica: um estudo sobre as práticas discursivas em torno da educação infantil em Campina Grande-PB ( 1919-1945).
É
possível discutir as idéias da educação em Campina Grande no início do século
XX, a partir de um estudo bastante inovador, tendo como apoio a dissertação de
mestrado da Paloma Porto Silva, "(Des) aliando alinhado alguns fios da
modernidade pedagógica: Um estudo sobre as práticas discursivas em
Campina Grande-PB (1919-1945)", onde a mesma faz um estudo em torno dos
discursos do jornais da época que a mesma utilizou como fonte para a construção
de sua argüição em vista do tema abordado.
Segundo
a autora existiu nesse período, toda uma construção não só da educação, como
também, um discurso voltado para a estruturação de uma modernidade
brasileira, a qual a República estava imbuída de implantar naquela sociedade e
que segundo as vozes dominantes; nesse caso, os intelectuais da época, para
alcançar esse nível "moderno", se fez necessário criar mecanismos
civilizatórios, tendo isso em vista a educação foi um desses elementos.
No
entanto, Silva foi bastante feliz em utilizar como fontes os jornais da época,
pois os mesmo traziam para os cenários das discussões os anseios dos grupos
dominantes, que se utilizavam dessas ferramentas para lançar mão de suas idéias
progressistas, que advêm do pensamento moderno que foi pensado para o Brasil
intercalado com a implantação do regime republicano, que ventilavam idéias
modernizantes e civilizatórias e que só seria possível com as práticas
pedagógicas condizentes com a nova configuração política do país; era preciso
varrer da nossa história essa face de um país sem cultura, sem escolarização e
atrasado, onde as pessoas ao menos sabia assinar o seu nome. Se faz necessário
para ser moderno, criarmos projetos educacionais que respondessem as expectativa
desse momento.
O
estudo busca exatamente mostrar de que maneira isso foi possível quando mostra
que essa pedagogia da modernidade não estaria voltada apenas para a sala de
aula, logo que essa pedagogia se estende para o campo da higienização e saúde.
Percebe-se uma articulação desses grupos em torno desses elementos que objetivavam
estar inseridos nesse conceito de "moderno".
Suas
hipóteses caminham e ganham vida exatamente ai, nesse cruzamento de
perspectivas do "humano demasiadamente humano", é possível perceber
como ela traçou as características dessas reformas educacionais em Campina
Grande e como estes arranjos foram recepcionados pela elite local e aplicados a
partir das experiências local.
Abaixo
o link para a visualização da dissertação.
www.cchla.ufpb.br/ppgh/2010_mest_paloma_silva.pdf
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